1 – O ministério ordinário é aquele que recebe toda a sua direção da vontade de Deus revelada nas Escrituras Sagradas, e dos meios que Deus instituiu na Igreja para sua edificação perpétua.
2 – Por isso são chamados ordinários, porque podem e são usualmente chamados ao ministério por ordem estabelecida por Deus.
3 – E, porque, em sua administração, têm por regra fixa a vontade de Deus anteriormente revelada por ministros extraordinários, não devem propor nem fazer coisa alguma na Igreja que não lhes tenha sido prescrita nas Escrituras.
4 – Portanto, também dependem dos ministros extraordinários e são, por assim dizer, seus sucessores. Pois, embora quanto ao modo e grau os ministros extraordinários não tenham sucessores, todavia, quanto à essência da administração, os ministros ordinários exercem o mesmo ofício para com a Igreja que aqueles exerceram outrora.
5 – O direito ao seu ministério é ordinariamente comunicado por meio de homens; e, nesse sentido, a vocação do ministro ordinário é mediata[2].
6 – Contudo, isso deve ser entendido de tal maneira que a autoridade para administrar as coisas divinas é comunicada imediatamente[3] por Deus a todos os ministros legítimos; e a designação das pessoas às quais essa autoridade é conferida é feita pela Igreja.
7 – Mas, visto que a Igreja não pode conferir os dons necessários para esse ministério, nem determinar a Deus a quem os deve conceder, ela apenas pode escolher aqueles que previamente reconhece como aptos; pois não somente os ministros extraordinários, mas também os ordinários, são tornados aptos por sua própria vocação, ainda que antes fossem inapto.
8 – Assim, numa vocação ordinária, requer-se necessariamente que preceda um exame[4] legítimo. 1 Timóteo 3:10 (ACF): — “E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis”.
9 – O ministério ordinário destina-se à preservação, propagação e restauração da Igreja por meios ordinários.
10 – Este ministério possui duas partes:
[1] – que, em Nome de Deus, o ministro realize aquilo que deve ser feito para com o povo;
[2] – que, em nome do povo, realize para com Deus aquilo que deve ser feito diante dEle.
11 – Entre essas partes, a pregação da Palavra se sobressai, sendo de uso perpétuo na Igreja.
12 – O dever do pregador ordinário é propor a vontade de Deus a partir da Palavra para a edificação dos ouvintes. 1 Timóteo 1:5 (ACF): — “Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida”.
13 – E, porque se requer, sobretudo, um sincero desejo de edificar a Igreja, não pode ser pregador idôneo aquele que não preparou o seu coração para buscar a Lei do Senhor, para a cumprir e para ensinar em Israel os estatutos e juízos; pois quem ensina a outrem deve primeiro ensinar a si mesmo (Romanos 2:21[5]). De outro modo, não está apto para edificar a Igreja.
14 – Este dever deve ser exercido não apenas de modo geral para todos os ouvintes, mas também de modo particular, segundo sua condição e idade: — velhos, jovens, servos (cf. Tito 2 — 3), mestres (cf. 2 Pedro 1:12 etc.), enfim, cada um. 1 Tessalonicenses 2:11 (ACF): — “Assim como bem sabeis de que modo vos exortávamos e consolávamos e testemunhávamos, a cada um de vós, como o pai a seus filhos […]”. E isso não só publicamente, mas também em particular (cf. Atos 20:20).
15 – Deve ter sempre diante dos olhos este propósito de edificação, de tal modo que se esforce diligentemente por não se desviar dele para “vãs tagarelices[6]” (1 Timóteo 1:6); para “contendas acerca de palavras” (cf. 2 Timóteo 2:14); para “controvérsias inúteis ou especulações da falsamente chamada ciência” (cf. 1 Timóteo 6:20) — mas que se mostre como quem se apega firmemente à palavra fiel, que “conduz à doutrina” (cf. Tito 1:9); e que “não pode ser condenada” (cf. Tito 2:8).
16 – E, visto que a vontade de Deus deve ser proposta a partir de sua Palavra, não é apto para o ministério aquele que não tem os sentidos devidamente exercitados nas Sagradas Escrituras, acima do nível comum dos fiéis; de modo que dele se possa afirmar, como de Apolo, que era “poderoso nas Escrituras” (Atos 18:24). Não deve, portanto, apoiar-se em postilas[7] nem em comentários.
17 – Para que a vontade de Deus seja proposta com fruto de edificação, duas coisas são necessárias:
[1] – a exposição do que está contido no texto;
[2] – a aplicação dessas coisas às consciências dos ouvintes, conforme sua condição (cf. 1 Timóteo 6:17).
18 – Enganam os ouvintes — e a si mesmos — aqueles que propõem um texto no início do sermão, mas depois discorrem amplamente a partir dele, ou apenas por ocasião dele, sem, contudo, dele extrair o seu sentido próprio.
19 – Ao declarar a verdade contida no texto, deve-se primeiro explicá-la, e depois mostrar o proveito que dela decorre. A primeira parte consiste em doutrina; a segunda, em uso. 2 Timóteo 3:16 (ACF): — “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça”.
20 – Aqueles que confundem essas partes prejudicam a memória dos ouvintes e dificultam sua edificação, pois não conseguem reter o ponto principal do sermão para repeti-lo depois em suas casas; sem isso, perde-se grande parte do fruto.
21 – Doutrina é um axioma[8] teológico, ou expresso nas próprias palavras da Escritura, ou delas derivado por consequência imediata.
22 – A doutrina deve primeiro ser corretamente descoberta e depois corretamente tratada.
23 – Sua descoberta se dá por análise lógica, auxiliada pela retórica e pela gramática.
24 – A análise depende principalmente da observação do escopo e dos meios pelos quais ele é alcançado.
25 – A isso deve ser acrescentada, para confirmação, a interpretação daquelas coisas que são duvidosas na análise; mas as coisas óbvias, aquelas que são “perspícuas em si mesmas[9]”, nem requerem nem permitem uma interpretação desnecessária.
26 – O tratamento da doutrina consiste, em parte, em demonstrá-la, quando necessário, e, em parte, em ilustrá-la adequadamente.
27 – A prova deve ser extraída dos testemunhos mais claros das Escrituras; podem também ser acrescentadas razões, onde a natureza da coisa o permitir. Mas aqui deve-se guardar a medida que o bem[10] dos ouvintes ditar.
28 – A ilustração pode ser extraída quase de todos os lugares inventivos; porém, os argumentos contrastantes[11] e comparativos ocupam aqui o lugar principal.
29 – Uma vez explicada a doutrina, deve-se prontamente conduzi-la ao uso, pois este constitui o seu fim e está mais diretamente ligado à edificação dos ouvintes.
30 – Erram, portanto, aqueles que se detêm na mera exposição da verdade, negligenciando o seu uso e aplicação, nos quais propriamente consistem a religião e a bem–aventurança.
31 – Nem todas as doutrinas que podem ser extraídas devem ser propostas, nem todos os usos inculcados, mas somente aqueles que, conforme as circunstâncias, se mostram mais necessários e proveitosos para a vida de piedade.
32 – Erram também os que falam indiscriminadamente, extraindo do texto o que nele não está, ou acumulando matérias de outros lugares, causando confusão e não edificação.
33 – Doutrina e uso devem ser ordenados com conexão entre si, pois isso favorece a compreensão e a memória.
34 – O uso é um axioma teológico, extraído da doutrina [tese 21], que mostra o proveito, a bondade ou o fim dela[12].
35 – A razão da dedução deve ser esclarecida caso não seja inteiramente evidente; a esta deve-se acrescentar, outrossim, uma prova[13] ou ilustração, conforme sugiram as necessidades dos ouvintes e a prudência do orador.
36 – Este uso diz respeito ou ao juízo, ou à prática (2 Timóteo 3:16).
37 – No juízo há informação e reforma da mente.
38 – Informação é a demonstração de alguma verdade.
39 – Reforma é a refutação de algum erro.
40 – Contudo, embora toda verdade possa ser ensinada em alguma ocasião, nem todo erro deve ser refutado em todo lugar. Pois as heresias antigas, onde já estão sepultadas, não devem ser desenterradas novamente para que sejam refutadas; nem as blasfêmias ímpias devem ser repetidas com facilidade. Isso perturba e ofende, especialmente quando são solenemente nomeadas, explicadas e refutadas.
41 – Na prática da vida, há a direção, que consiste na instrução e na correção.
42 – A instrução é a demonstração da vida que deve ser seguida.
43 – A correção é a condenação da vida que deve ser evitada.
44 – Após a declaração[14], deve seguir-se a aplicação, a qual de tal modo se coaduna com a derivação de usos que, amiúde, pode ser mesclada com a própria declaração.
45 – Aplicar uma doutrina ao seu uso consiste em aguçar[15] e revestir uma verdade geral com uma acomodação especial de tal modo que ela possa transpassar as mentes dos presentes com uma comoção de afetos piedosos.
46 – Os homens devem ser de tal modo feridos no íntimo[16] que cada um possa experienciar o que disse o Apóstolo: — “a saber, que a Palavra do Senhor é uma espada de dois gumes que traspassa os pensamentos e afetos mais internos, e penetra até a divisão das juntas e medulas” (cf. Hebreus 4:12). Os pregadores, portanto, não devem ser mortos, mas vivos e eficazes, de sorte que um descrente, ao entrar na Congregação dos fiéis, deva ser de tal modo afetado e, por assim dizer, esquadrinhado pelo simples ouvir da Palavra, que renda glória a Deus. 1 Coríntios 14:25 (ACF): — “E, portanto, os segredos do seu coração ficam manifestos, e assim, lançando-se sobre o seu rosto, adorará a Deus, publicando que Deus está verdadeiramente entre vós”.
47 – Ora, essa aplicação se refere ou a uma mente oprimida (como consolação para ela), ou ao desânimo no prosseguimento do bem (como exortação), ou ao evitar o mal (como admoestação).
48 – Consolação é a aplicação de algum argumento ou para remover ou para mitigar a tristeza e o temor opressivo.
49 – Na consolação, é proveitoso juntar marcas pelas quais a consciência do homem possa ser assegurada de que tal benefício lhe pertence; o ministro consola as consciências dos crentes com a consideração disso, acrescentando ocupações e refutações daquelas coisas que uma mente piedosa e atribulada pode trazer à mente em contrário.
50 – Exortação é a aplicação de um argumento ou para gerar, alimentar e excitar alguma virtude interior, ou para fomentar o exercício dela.
51 – Numa exortação à virtude, é muito proveitoso mostrar os meios que tendem a gerar aquela virtude em nós; mas que tudo seja provado por passagens das Escrituras, por exemplos ou por razões que tenham firme fundamento nas Escrituras.
52 – A admoestação é a aplicação de um argumento para a correção de algum vício[17].
53 – Na admoestação ou exortação contra o vício[18], podem-se adjungir [ajuntar] remédios extraídos daqueles lugares da Escritura que sejam mais eficazes para prevalecer contra tais vícios.
54 – A maneira de agir em todas essas coisas deve ser tal que não haja ostentação de sabedoria humana nem mistura de afeições humanas; antes, que em toda parte se manifeste a demonstração do Espírito Santo. 1 Coríntios 1:17 (ACF): — “Porque Cristo enviou-me, não para batizar, mas para evangelizar; não em sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo se não faça vã”; 1 Coríntios 2:1, 4 (ACF): — “E eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. E a minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder”. Não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito Santo. Pois é a palavra do Espírito, a palavra da Vida, que é pregada para a edificação que vem de Deus e se realiza pela fé. Se algo nela não for falado ou feito com propriedade, será tão vão como madeira, feno e palha (cf. 1 Coríntios 2:13; 1 Coríntios 3:12).
55 – Portanto, testemunhos humanos, sejam quais forem, e histórias conhecidas apenas pelos eruditos, não devem ser misturados, exceto raramente (indicando-se também a razão que obriga a fazê-lo), quando uma necessidade urgente ou certa esperança de fruto pareça exigir tal coisa; muito menos devem ser utilizadas palavras ou sentenças em latim, grego ou hebraico que o povo não entenda.
56 – A pureza, a perfeição e a majestade da palavra de Deus são violadas quando esta parece carecer da mistura de palavras humanas; com isso, um escândalo é dado aos ouvintes que, estando acostumados a tais floreios humanos e amiúde contraindo coceira nos ouvidos[19], começam a abominar a simplicidade do Evangelho e não toleram a sã doutrina (cf. 2 Timóteo 4:3).
57 – Temos o exemplo de Paulo, que cita apenas poucas e breves sentenças de poetas pagãos, sem nomear os autores, a fim de convencer os gentios, para quem aquelas palavras eram conhecidas e aprovadas. E isso foi feito raríssimas vezes, apenas de passagem. Esse exemplo, porém, de modo algum justifica a prática daqueles que, com frequência e deliberadamente, inserem testemunhos humanos, elogiando os autores quase com a mesma solenidade com que citam os nomes dos Profetas — e o fazem entre cristãos que só desejam ouvir a Cristo, apenas para exibir sua erudição.
58 – Outrossim, desnecessário é seguir Proêmios[20] rebuscados ou palavras persuasivas de oradores; nem devem eles amar digressões ou excursões. Tais coisas favorecem um espírito humano, desperdiçam o tempo e excluem outras matérias que mais edificariam o povo.
59 – Contudo, se for utilizado algum Exórdio[21] pertinente à matéria presente, este terá o seu lugar próprio seja na declaração do texto, seja na aplicação deste ao seu uso.
60 – A fala e a ação devem ser inteiramente espirituais, brotando do próprio coração. Elas revelam um homem profundamente versado nos exercícios da piedade, que já se convenceu e firmou bem em sua própria consciência aquelas verdades que procura transmitir aos outros; e nelas deve haver, finalmente, zelo, caridade, mansidão, liberdade e humildade, unidas a uma grave autoridade.
61 – A pronúncia do discurso deve ser natural, familiar, clara e distinta, de modo que seja convenientemente entendida; e também adequada à matéria, para que mova as afeições. Gálatas 4:20 (ACF): — “Eu bem quisera agora estar presente convosco, e mudar a minha voz; porque estou perplexo a vosso respeito”.
62 – Entre outras, eis aqui duas vozes que são sumamente criticáveis: — uma que é pesada, lenta, cantada[22] e sonolenta, na qual não apenas as palavras são separadas por uma pausa, tal como uma vírgula, mas até mesmo as sílabas de uma mesma palavra são apartadas, com grande prejuízo para a compreensão das matérias.
63 – A outra voz que aqui mais ofende é aquela apressada e veloz, que sobrecarrega os ouvidos com demasiada celeridade[23], de sorte que não haja uma percepção distinta das matérias.
64 – Todo tipo de fala, pronúncia e ação que seria considerado ridículo no senado, nos tribunais ou na corte, deve ser evitado com ainda maior rigor no sermão.
65 – A eficácia do Espírito Santo manifesta-se com muito maior clareza na nua simplicidade das palavras do que em qualquer elegância ou polimento humano. Por isso o Apóstolo Paulo confessou ser “ἰδιώτης τῷ λόγω (idiṓtēs tṓ lógō)” — isto é, rude na fala — em 2 Coríntios 11:6 (ACF): — “E, se sou rude na palavra, não o sou contudo no conhecimento; mas já em todas as coisas nos temos feito conhecer totalmente entre vós”. Contudo, se alguém possui certa força exterior de falar, deve utilizá-la com genuína simplicidade.
66 – Quanto mais afetação aparecer, tanto mais eficácia e autoridade se perdem.
67 – A suma é que nada deve ser admitido que não sirva para a edificação espiritual do povo; nem deve ser omitido nada pelo qual possamos, de modo seguro, atingir esse fim.
68 – Um apêndice do sermão é a oração, tanto antes como depois.
69 – Na oração que precede o sermão, devem ser apresentadas aquelas verdades gerais que trazem à memória o propósito e o uso da Palavra e da pregação, as nossas necessidades, indignidade e dever, bem como as graciosas promessas de Deus. Assim, as mentes de todos serão despertadas a buscar humildemente e cumprir fielmente a vontade do Senhor.
70 – Na oração que segue, deve-se sempre render ação de graças, transformando os principais pontos do sermão em petições.
Paz e graça.
[1] AMES, William. A Medula da Sagrada Teologia. Capítulo 35 – Dos Ministros Ordinários e de seu Ofício na Pregação, teses 1 a 70, p. 180 – 184.
[2] Chama-se “mediata” a vocação do ministro quanto ao modo de sua designação externa. Isto é, o direito ao exercício do ministério lhe é comunicado “por meio de homens”, a saber, pela Igreja, que chama, examina e ordena. Trata-se, portanto, da mediação eclesiástica no ato de instituir alguém no ofício, segundo a ordem estabelecida por Deus.
[3] Diz-se “imediata” a comunicação da autoridade ministerial quanto à sua origem. Ainda que o ministro seja chamado pela Igreja, a autoridade para administrar as coisas divinas procede “imediatamente” de Deus, não dos homens. A Igreja não confere a graça nem o poder espiritual em si mesmos, mas apenas designa a pessoa que Deus, por sua vocação, constitui ministro.
[4] A palavra grega “δοκιμάζω” (dokimazō) significa testar, examinar, provar e escrutinar, a fim de verificar se algo é genuíno; e, após tal exame, aprová-lo como autêntico, ou julgá-lo digno do nome ou título que leva.
[5] “Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas?” (ACF).
[6] Originalmente, “riso vão”. Contudo, a KJV e a GNV trazem “vain jangling”, o que pode ter sido erro tipográfico. O sentido é o de fala ociosa, vazia e infrutífera; a versão DRM utiliza “vain babbling” — isto é, tagarelice vã, sem qualquer valor eterno.
[7] Comentário, nota marginal ou sermão de outrem sobre essa passagem da Escritura. “Postilas” (do latim postillae) são exposições ou comentários breves sobre passagens da Escritura, geralmente organizados segundo a ordem do texto bíblico ou do calendário litúrgico. Na tradição eclesiástica, designam coleções de sermões prontos ou esboços expositivos, muitas vezes compilados por teólogos, para auxiliar pregadores. Tornaram-se comuns na Idade Média e na Reforma, servindo como instrumento didático e homilético. No contexto de Ames, o termo é empregado com cautela crítica: — indica materiais auxiliares que, embora úteis, não devem substituir o labor direto, diligente e pessoal do ministro nas Sagradas Escrituras. O ponto não é a rejeição absoluta desses recursos, mas a afirmação de que a autoridade e a suficiência residem primariamente no texto bíblico, não em compilações derivadas.
[8] Uma regra em Teologia.
[9] Claro ou facilmente compreendido.
[10] Originalmente, “commodity”: — algo útil ou de valor.
[11] Originalmente, “dissentaneous”: — discordante ou divergente.
[12] Em outras palavras, “uso” é a aplicação prática de uma verdade doutrinária ou princípio extraído das Escrituras.
[13] Originalmente, “probation”: — prova ou comprovação.
[14] Isto é, a exposição das coisas contidas no texto; ver a tese 17 acima.
[15] Originalmente, “whet”: — tornar mais agudo ou penetrante — afiar ou trazer a um foco mais preciso.
[16] “E, ouvindo eles isto, compungiram-se em seu coração, e perguntaram a Pedro e aos demais Apóstolos: — Que faremos, homens irmãos?” (Atos 2:37 – ACF).
[17] Isto é, corrigir alguma corrupção ou imperfeição de ordem moral.
[18] Originalmente, “dehortation”: — dissuasão; exortação contrária a determinado curso de ação.
[19] Muito semelhante a contrair uma doença.
[20] Proêmio é chamado o prelúdio de um canto, exórdio de um discurso ou preâmbulo de uma obra.
[21] Exórdio é a parte inicial de um discurso, texto ou solenidade, destinada a captar a atenção e preparar o público, oferecendo ao ouvinte uma visão geral concisa que o auxilie a acompanhar o desenvolvimento do conteúdo à medida que se desenrola.
[22] Ou seja, rítmico, com cadência de canto ou recitação musicalizada.
[23] Originalmente, “celerity”: — a característica de se mover ou agir com rapidez, à semelhança do disparo contínuo de uma metralhadora.
[24] Pr. Dr. Plínio Sousa — Tradutor: — notas e significações.

